Como de costume, fomos para a escola na sexta a noite para deixar tudo preparado. Eu já disse em outras ocasiões, mas com o tempo nós fomos aprendendo a organizar o mutirão bem mais rápido. Isso consiste em retirar as carteiras das salas, deixando as que formos utilizar durante o mutirão. Na sala cirúrgica ficam muitas pois juntamos várias mesas para fazer um mesão onde ficam medicamentos, instrumentos, kit de emergência, seringas, gaze, algodão... tudo o que se usa nas cirurgias. Ainda deixamos uma mesinha ao lado de cada mesa cirúrgica para ser o apoio, utilizamos mais duas mesas onde colocamos o recipiente com água e sabão (um sabão especial) para onde os instrumentos sujos vão e são retirados de tempos em tempos para serem lavados e esterilizados.
Na sala do pós tiramos as mesas e cadeiras do centro da sala e deixamos um grande vão no centro onde montamos o suporte de soro e os colchonetes onde serão colocados os animais após a cirurgia.
N sala do pré também fazemos isso, tiramos as carteiras do centro, onde deixamos somente as que formos utilizar.
Tudo isso fazemos no dia anterior.
A sala cirúrgica já fica completamente montada, inclusive com o mesão completamente abastecido e as mesas de apoio já com o que será utilizado. Assim com as demais salas.
O que não deixamos pronto é a secretaria e a esterilização, que ficam do lado de fora das salas. Sendo assim já deixamos as mesas separadas, os materiais utilizados separados e no sábado cedo é só levar para o local onde ficará a estação de trabalho.
Para este mutirão, a Ludmila me pediu que fizesse a distribuição das funções, em que setor cada voluntário ficaria. E vou falar uma coisa pra vocês... ô função difícil!!!
A dificuldade é que nossos mutirões tem hora para começar, mas não tem hora marcada para acabar. Acaba quando termina!!
E para determinar as funções de cada um é necessário saber que horas aquela pessoa vai chegar e até que horas vai ficar. Olha a dificuldade...
As vezes os voluntários só me falam que vão e que horas vão chegar, mas não falam quando vão embora. Mas imagina que a pessoa está escalada para ser auxiliar do veterinário e esse veterinário vai ficar até o fim das cirurgias e pessoa tem hora marcada pra ir embora. Eu preciso saber disso para escalar outra pessoa para auxiliar esse veterinário da hora que o auxiliar for embora até o fim das cirurgias. No final tudo se ajeita, mas é bem difícil fazer essa escala! E foi a minha primeira vez... hahahahaha, o que faz ficar ainda mais difícil.
Enquanto eu estava fazendo essa distribuição de funções, a Ludmila me disse que a Talita (que é uma auxiliar muito experiente e muito gente boa) iria. Fiquei feliz, pois ela ficaria no pré e eu poderia aprender muito com ela.
Chegado o dia as coisas foram se ajeitando e tudo transcorrendo como o planejado. Esqueci de mencionar que eu estava de folga!!! A alegria da pessoa que no dia que tem pra descansar, trabalha mais do que se não estivesse de folga... hahahahaha.
Quando a Talita chegou eu brinquei com ela que eu amarraria uma cordinha no meu pé e no dela que se ela desse um passo pra esquerda eu daria também, se ela desse um passo pra direita eu daria também. Porém o que sucedeu não foi bem assim, eu que iria ficar no pré fiquei um pouquinho em cada lugar, fui fazendo o que era necessário. Sabe aquele personagem do Paulo Silvino? O Severino?? Pois é, era eu todinha!!!
Isso significa que eu ficava andando, vendo o que estava precisando em cada setor, cobrindo alguém que fosse almoçar ou lanchar, auxiliando algum veterinário quando necessário, correndo atrás de dono de animal, atrás de receita que não tenha ido por algum motivo, atualizando a lista de animais. Fiz um pouquinho de tudo e apesar disso, a sensação de não ter feito nada. É estranho!! É cansativo!! Mas é mutirão, ou seja, é bom demais!!!
Alguns dias antes do mutirão, várias pessoas publicaram no facebook a foto de um cão labrador lindo, que estava perambulando pela cidade. Ele foi visto em vários locais e houve vários pedidos de resgate. Mas era um monte daqueles “protetores” de sofá!! Conhecem?? É assim, a pessoa vê, quase tem um piripaque do coração de tanto dó, mas nunca podem fazer nada, os motivos são muitos... porque não tem carro, porque tem mais animais em casa, porque está dentro do ônibus, porque está indo pro trabalho... mas tudo isso se resume a: É PORQUE NÃO É MINHA OBRIGAÇÃO E OS PROTETORES QUE SE VIREM PARA RESOLVER ISSO!!! (Vou fazer um parêntese aqui, porque tem muita gente que faz um pedido desse, mas que é sério. Em geral a pessoa, por algum motivo, não pode resgatar o animal naquele momento e pede ajuda, mas geralmente a pessoa se disponibiliza a ajudar posteriormente e se responsabiliza pelo animal). Bem, o fato é que o labrador (era puro mesmo) estava perambulando pela cidade e na sexta feira acabou indo parar na Clínica Animale, que é parceira do mutirão. A Priscila, que trabalha lá e é voluntária do mutirão, o resgatou e com o consentimento da Alessandra deixou que ele passasse a noite lá e com o consentimento da Ludmila ele seria levado no dia seguinte para o mutirão onde seria castrado. E foi o que aconteceu!!! Mas esse cão causou no mutirão, pois todo mundo ficou encantado por ele!
Extremamente dócil e tranquilo, além de lindo!!!
Depois de alguns dias, descobriu-se que o labrador tem dono e ele foi devolvido ao dono,
Tivemos uma visita ilustríssima, vinda diretamente de Uberlândia, junto com a turma de lá. Professor Celso! Ele é um veterinário com vastíssima experiência e professor da faculdade de veterinária de lá. Craque!!!
Um fato ilustrativo do mutirão (pq tem que ter alguma emoção), uma cadelinha conseguiu fugir da guia enquanto aguardava!! Tadinha, estava bem assustada!! Deu um baile em muita gente que estava tentando capturá-la. Por fim, depois de muito correr, a Helena conseguiu resgatar a fujona!! Tem até fotinha do momento em que foi pega.
Ao final, 61 animais foram castrados e tudo terminou bem!!










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